sábado, 19 de setembro de 2015

MINHAS LEITURAS Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, 1960 e A distancia entre nós, de Thrity Umrigar, 2012. Duas narrativas distintas, culturas e crenças diversas e distanciadas por meio século, que impactam pelo peso da fragilidade de duas personagens: a Negra Carolina e a Dáliti Mahbi. Deixam, ao final de suas histórias, o gosto amargo da vulnerabilidade humana face à des-ordem social. Semi-analfabeta, fim da década de 50, Favela do Canindé (onde hoje é a Marginal do Rio Tietê, na cidade de São Paulo), Carolina faz do registro de seu cotidiano, a catarse necessária à manutenção da lucidez de onde tira forças para catar papel, fuçar o lixo e daí retirar a própria sobrevivência e dos três filhos menores. Numa grande cidade da Índia,vive a Dáliti. Já está por volta dos 60 anos, trabalha como doméstica para uma família provida de posses e casta. É daí que lhe provém o salário para arcar com o aluguel na periferia, onde vive num coletivo de barracos com a neta recém aprovada na Faculdade de Economia, seu orgulho e possibilidade de um futuro promissor para ambas. A fome, a miséria e a degradação são elementos comuns às duas realidades, como também a valorização do estudo e a preocupação em preservar os filhos da influência da promiscuidade presente, embalando em ambas, o sonho de sair da favela.

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