quarta-feira, 30 de setembro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
MINHAS LEITURAS
Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, 1960 e A distancia entre nós, de Thrity Umrigar, 2012.
Duas narrativas distintas, culturas e crenças diversas e distanciadas por meio século, que impactam pelo peso da fragilidade de duas personagens: a Negra Carolina e a Dáliti Mahbi. Deixam, ao final de suas histórias, o gosto amargo da vulnerabilidade humana face à des-ordem social.
Semi-analfabeta, fim da década de 50, Favela do Canindé (onde hoje é a Marginal do Rio Tietê, na cidade de São Paulo), Carolina faz do registro de seu cotidiano, a catarse necessária à manutenção da lucidez de onde tira forças para catar papel, fuçar o lixo e daí retirar a própria sobrevivência e dos três filhos menores.
Numa grande cidade da Índia,vive a Dáliti. Já está por volta dos 60 anos, trabalha como doméstica para uma família provida de posses e casta. É daí que lhe provém o salário para arcar com o aluguel na periferia, onde vive num coletivo de barracos com a neta recém aprovada na Faculdade de Economia, seu orgulho e possibilidade de um futuro promissor para ambas.
A fome, a miséria e a degradação são elementos comuns às duas realidades, como também a valorização do estudo e a preocupação em preservar os filhos da influência da promiscuidade presente, embalando em ambas, o sonho de sair da favela.
sábado, 8 de agosto de 2015
Quando dizemos "Desejo o suficiente" estamos desejando à outra pessoa que tenha uma vida cheia de coisas boas o suficiente para sustentá-las ". Assim:
Desejo-lhe sol o suficiente, para manter suas atitudes brilhantes.
Desejo-lhe chuva o suficiente, para apreciar o sol mais ainda.
Desejo-lhe felicidade o suficiente, para manter seu espírito vivo.
Desejo-lhe pequenas dores o suficiente, para que as menores alegrias na vida pareçam muito maiores.
Desejo-lhe que ganhe o suficiente para satisfazer seus desejos.
Desejo-lhe que perca o suficiente, para apreciar tudo que possui.
Desejo-lhe que tenha "olá" o suficiente te acompanhando até o seu último adeus. "
(Leila Martins)
terça-feira, 28 de abril de 2015
"Velhota, Eu?", título instigador para quem passou dos...enta, de Luci Afonso. Delicioso instrumento de instigação vindo de uma bela mulher que, familiarizada com o domínio do código linguístico, por intermédio da profissão e dos versos e prosas que cultivou, após aposentar-se encontrou inspiração para retornar à rotina de estudante de Letras. Aperfeiçoar o que? Imaginei ao folhear alguns de seus livros.Continuei na busca de respostas e me deparei com inúmeras indagações que, muitas ainda inconscientes, tem insistido em resistir a respostas. Arrisco que provavelmente me desvelem os temores em face ao envelhecimento. Muito embora ainda aprecie a salutar troca de energia com os alunos e os colegas na escola, reconheço que já não disponho mais do vigor físico que a função docente exige. Assim, venho adiando a efetivação da aposentadoria, sempre respondendo que "é para o próximo ano". Venho me prometendo uma certa preparação para a nova fase. Comecei a exercitar outros idiomas para aproveitar melhor as futuras viagens; inclui também o teclado, para estimular as mãos, por enquanto. Pelo jeito, puxar ferro talvez, numa encarnação próxima quem sabe, me encontre mais entusiasmada.
Por ora, no balanço geral já plantei árvore, talvez não escreva o livro, mas tive o privilégio de me sentir perpetuada na geração de meus seis tesouros. Velhota ? ainda é pouco, quero mais um tempo por aqui!
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