quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Re-descobrindo Brasís

Rio de Janeiro, Abril/2016
Na sequencia: Palácio Tiradentes, Nós e o Pão com cobertura de Açúcar, Confeitaria Colombo, Bondinho de Sta. Tereza, Tiradentes, Interior do Palácio Tiradentes, Paço Imperial, Ilha Fiscal vista das barcas, Uma estante de livros dependurada na fachada de um prédio com direito a repousar o livro numa aconchegante poltrona, Sara e Adriano caindo de boca no Siri e o aconchego do encontro dos Roza: Vinícius, Thiago com Luíza e Adriano com Sara.

domingo, 7 de agosto de 2016

Nem só de tricô vive uma avó. Acabei de ler um dos títulos que me aguardava há muito - GERMINAL, de Emile Zola, Cia das Letras,2007. Émile Zola, escritor francês, nasceu em Paris em 1840, desistiu dos estudos de advocacia para dedicar-se a atividades literárias, identificando suas produções com o naturalismo. Polemico, corajoso e revolucionário chegou a ser deportado acusado de injuria contra militares franceses no seu texto “Eu acuso”. De volta a Paris, morreu aos 62 anos de idade vítima de um acidente doméstico provocado por escapamento de gás, sendo seu enterro foi acompanhado por mineiros que gritavam “ Germinal”. Publicado em 1885, Germinal retrata aspectos importantes da história e da cultura do século XIX. Muito embora quase um século se passara da grande revolução que mudaria as relações sociais, preconizando os ideais de “ liberdade, igualdade e fraternidade” , a Europa atravessava um período de grandes agitações. A França, sob o domínio de Napoleão III, passava por progressiva industrialização e desenvolvimento econômico sem que, no entanto conseguisse equalizar a distribuição da renda aferida por esse processo. O descontentamento da população de operários conduziu à criação da Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres, 1864, presidida por Karl Marx. Com a instalação da República na França, em 1875, foram sentidos avanços com a reforma do ensino e a liberdade de imprensa e de reunião. Depois desse intervalo de calmaria eclodiu uma grande crise decorrente da recessão econômica e agrícola, gerando graves distúrbios sociais acompanhados da desordem política. Entre 1866 e 1867 a insatisfação das classes desfavorecidas dos carvoeiros no norte da França, levou Emile Zola a passar dois meses na região para se familiarizar com o meio. Ali, trabalhou como mineiro, convivendo nas mesmas casas dos operários, comendo e bebendo nas mesmas tavernas. Sentiu toda a dificuldade do trabalho árduo e pesado da extração do carvão , o calor e a unidade das minas, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Acpmpanhou a greve dos mineiros e transformou essa experiência na obra Germinal. Daí a força e repercussão dessa obra que o consagrou.
Minha fase de tricô, inspirada pela chegada da minha netinha Camila e pelo novo status de "dona do próprio tempo".https://get.google.com/albumarchive/118003218509235384291/albums/photos-from-posts

sábado, 12 de março de 2016

OS FILHOS ESQUECERÃO: "O tempo, pouco a pouco, me liberará da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem repouso. Das mãos gordinhas que não param de me agarrar, que me escalam pelas costas, que me pegam, que me buscam sem cuidados, nem vacilos. Do peso que enche meus braços e curva minhas costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas. O tempo me devolverá a folga aos domingos e as chamadas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão. Acelerará, talvez, o peso da responsabilidade que as vezes me aperta o diafragma. O tempo, certamente e inexoravelmente esfriará outra vez a minha cama, que agora está aquecida de corpos pequenos e respirações rápidas. Esvaziará os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Tirará de seus lábios meu nome gritado e cantado, chorado e pronunciado cem mil vezes ao dia. Cancelará, pouco a pouco ou de repente, a confiança absoluta que nos faz um corpo único, com o mesmo cheiro, acostumados a mesclar nossos estados de ânimo, o espaço, o ar que respiramos. Como um rio que escava seu leito, o tempo perigará a confiança que seus olhos têm em mim, como ser onipotente, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o inconsertável e curar o incurável. Deixarão de me pedir ajuda, porque já não acreditarão mais que em algum caso eu possa salvá-los. Pararão de me imitar, porque não desejarão parecer-se muito a mim. Deixarão de preferir minha companhia em comparação com os demais (e vejo, isto tem que acontecer!). Se esfumaçarão as paixões, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Se apagarão os ecos das risadas e das canções, as sonecas e os "era uma vez... Com o passar do tempo, meus filhos descobrirão que tenho muitos defeitos e se eu tiver sorte, me perdoarão por alguns deles. Sábio e cínico, o tempo trará consigo o obvio. Eles esquecerão, mas ainda assim eu não esquecerei. As cosquinhas e os "corre-corre", os beijos nos olhos e os choros que de repente param com um abraço, as viagens e as brincadeiras, as caminhadas e a febre alta, as festas, as papinhas, as carícias enquanto adormecíamos lentamente. Meus filhos esquecerão que os amamentei, que os balancei durante horas, que os levei nos braços e ás vezes pelas mãos. Que dei de comer e consolei, que os levantei depois de cem caídas.Esquecerão que dormiram sobre meu peito de dia e de noite, que houve um dia que me necessitaram tanto, como o ar que respiram. Esquecerão, porque é assim mesmo, porque isto é o que o tempo escolhe. E eu, eu terei que aprender a lembrar de tudo para eles, com ternura e sem arrependimentos, incondicionalmente. E que o tempo, astuto e indiferente, seja amável com estes pais que não querem esquecer." (Autor desconhecido)
Oração de uma mãe camponesa de Madagascar. Senhor Deus, tu és dono do fogão, das panelas e das marmitas! Não posso ser a santa que medita aos vossos pés. Não posso bordar toalhas para o vosso altar. Então, Senhor, que eu seja santa ao pé do meu fogão. Que o vosso amor esquente a chama que eu acendi e faça calar a minha vontade de gemer a minha miséria. Eu tenho as mãos de Marta. Mas, quero ter também a alma de Maria. Quando eu lavar o chão, lavai Senhor, também a minha alma. Quando eu puser na mesa a comida, senta-te ao nosso lado Senhor e comei junto conosco. É ao meu Senhor que eu sirvo, servindo a minha família. Amém.