quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O TEMPO E O VENTO de Érico Veríssimo

Escrito ao longo de doze anos, entre 1949 e 1961, a trilogia O TEMPO E O VENTO é composta por O Continente, o Retrato e O Arquipélago, conta um pouco da história do Brasil, acompanhando oito gerações da Família Terra-Cambará, do século XVIII, a partir de 1745, quando da ocupação do sul do Brasil pelos jesuítas, bandeirantes e espanhóis, até o século XX, em1945, com o fim do Estado Novo. Sucedem-se as lutas pelas disputas da terra, da fronteira, as lideranças políticas, os movimentos econômicos e sociais, que vão sedimentar os valores, os costumes e as tradições do Sul do país. Para manter a unidade entre as três partes da obra, resumo com base na Wikipédia, considerando a sequencia dos três volumes. O Continente Na primeira parte da obra, O Continente, ocorre o nascimento da estirpe Terra Cambará. Seu primeiro ascendente Pedro Missioneiro, índio educado por padres espanhóis, irá unir-se a Ana Terra; Bibiana o Capitão Rodrigo, Ligurgo e sua mulher Alice, sua cunhada Maria Valéria, Toríbio Rodrigo, filhos de Licurgo são os personagens principais dessa narrativa sobre a colonização no Rio Grande do Sul e a presença de padres na catequização dos índios e a disputa entre Portugal e Espanha pela posse da Colônia de Sacramento, mesclando as lendas, os mitos e superstições à História oficial do Rio Grande do Sul com as revoluções feitas ao lombo dos cavalos. Ficção e História se mesclam no romance.a história da formação da elite rio-grandense, que culminará na Revolução Federalista de 1893/95. As lutas pela terra, as guerras internas (Farroupilha, Federalista) e externas (Guerra do Paraguai) marcam definitivamente a vida e a personalidade daqueles gaúchos e ecoam de forma muito forte ainda hoje na identidade do Rio Grande do Sul. O Retrato A história se passa em Santa Fé no início do século XX, então iniciando timidamente seu processo de urbanização, ainda marcada pela cultura rural.Toda a história é marcada pelo contraste entre o Dr. Rodrigo Cambará, homônimo do Capitão, seu bisavô, homem da cidade, de um lado, e o Coronel Licurgo, seu pai, homem do campo, de outro. Como mediador desse conflito, aparece seu irmão Toríbio. O próprio Dr. Rodrigo é um personagem marcado pelos contrastes. Formado em Medicina, adquiriu em Porto Alegre, onde estudou, o gosto por uma vida sofisticada. Mas frequentemente esse verniz se rompia e se revelava o típico macho gaúcho, com acessos de violência e de um incontido apetite sexual. O homem confiante e superior que se julgava vai, então, cedendo aos poucos o lugar para o homem amoral em que acaba se transformando. Esse contraste se materializa no retrato, obra-prima do Pepe, pintor espanhol, que permanecerá dependurado na parede do salão do Sobrado, fixando o Dr. Rodrigo idealizado por si mesmo no seu apogeu, e o homem no qual ele vai se transformando. Os grandes acontecimentos do século passam ao longe, chegam pelo telégrafo e pelos jornais, pouco influindo na vida das pessoas, a não ser como motivo de discussões políticas e filosóficas. O Arquipélago A última parte da trilogia foi lançada onze anos após O Retrato, quando os meios literários já não mais esperavam a continuação de O Tempo e o Vento, devido à frágil saúde de Érico, convalescente de um ataque cardíaco. Aqui, parte da ação transcorre no Rio de Janeiro, então a capital do país, com o Dr. Rodrigo Cambará eleito deputado federal. Assim, os personagens principais não são mais espectadores dos fatos nacionais, mas participam diretamente deles. Ao longo do romance, aparecem vários personagens reais, como Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, Luís Carlos Prestes, que contracenam com os personagens criados pelo autor, o que confere à história uma dinâmica especial, na expressão das tendências políticas que balizam o cenário das duas guerras mundiais e sua repercussão no território nacional. No seio da família Cambará, desenrolam-se as contradições de uma época marcada por uma radical revolução de costumes, sob a influência do cinema americano. Na família Cambará e suas relações, há desde comunistas a oportunistas. No meio deles, assumindo uma postura crítica e não engajada, aparece Floriano, alter ego do próprio Érico, que termina com as palavras que iniciam o primeiro volume. Os tipos humanos Os personagens masculinos de O Tempo e o Vento, principalmente em O Continente, revelam a imagem que geralmente se faz do homem gaúcho, valente e machista. Mas realmente fortes, principalmente no sofrimento, são as personagens femininas de Érico, tipos antológicos como Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria. Estas três constituem as matriarcas da família e suas qualidades fortes se mantêm ao longo das gerações. Como indica Regina Zilberman, "Bibiana duplica a avó não apenas por se assemelhar a ela, mas por portar seu nome em duplicata: também é Ana e Ana duas (bi) vezes."As qualidades definadoras dos patriarcas da família Cambará, por outro lado, definem-se no personagem do Capitão Rodrigo, consolidam-se em Licurgo, mas depois se dispersam primeiro entre Toríbio e Rodrigo Terra Cambará (filhos de Licurgo), e depois ainda mais entre os três filhos deste: Floriano, Eduardo, e Jango. O autor e a obra Segundo seus estudiosos, Érico Veríssimo, ao mesmo tempo em que presta um tributo às suas origens e ao esplendor das coxilhas do Rio Grande, reflete nesta obra também a sua história pessoal, uma vez que o autor sofreu com a separação traumática dos pais ainda na adolescência, numa época em que a separação de casais era inaceitável. A coragem de sua mãe em tomar a iniciativa da separação e como o pai abandonara a administração de sua farmácia para viver nos bares e bordéis; assim como a perseverança da mãe, que trabalhava como costureira para sustentar Érico e seu irmão Ênio, foi certamente sua inspiração na criação das mulheres fortes da Família Terra-Cambará.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Partidas e chegadas

Num folheto de uma missa especial foi destacado este texto atribuído a Henry Sobel: Imagine que você está à beiramar e ve um navio partindo. voce fica olhando enquanto ele vai se afastando cada vez mais longe, até que finalmente parece mais um ponto no horizonte, lá onde o céu e o mar se encontram. e voce diz: Pronto, ele se foi... foi aonde? Foi pra algum lugar em que sua vista não alcança. Só isso. Ele continua grande, tão bonito e tão importante como era quando estava perto de voce. A dimensão diminuída está em voce, não nele. e, naquele exato momento em que voce está dizendo: Ele se foi, há outros exclamando em júbilo: Ele está chegando!.

sábado, 4 de janeiro de 2014

MENSAGENS SELECIONADAS

Por Que As Pessoas Gritam? Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos: - Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas? - Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles. - Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? – Questionou novamente o pensador. - Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo. E o mestre volta a perguntar: - Então não é possível falar-lhe em voz baixa? Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador. Então ele esclareceu: - Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecida? O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta. Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas. Por fim, o pensador conclui, dizendo: “Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta” Mahatma Gandhi